14/08/2012

A carta e o soldado - Henrique Cerqueira



Foi convocado pra lutar, já fez as malas pra partir, levou o violão armas e munição, no coração vontade de vencer...
Ela que sempre se guardou, pedindo a Deus um grande amor, ouviu alguém falar que era pra adotar um soldado daquela guerra...
E no campo de batalha só se ouve ratatata, quanto mais o tempo passa mais se ouve ratatata, corpos ao chão e o coração do soldado em pedaços sozinho...
Ajoelhado orou aos ceus, pedindo a Deus por proteção, naquele mesmo instante alguém de tão distante lhe escreveu dizendo assim, pode até ser tempo de chorar, mais amanhã o sol vai brilhar Deus é contigo!!!
O tempo passou a carta chegou desanimado ele abriu, leu e entendeu que do fraco Deus faz forte.
Com o coração fortalecido o soldado no ato heróico se deu, e fez de escudo a própria vida pra salvar alguém fazer o bem...
Ela nem sabe o que ocorreu, nem quantas cartas escreveu, foi quando alguém falou o soldado voltou agora um Herói de guerra..
O tempo de dor ele jurou viver pra conhecer a dona do papel que transformou em céu o inferno que era alí...
E no peito do soldado só se ouve ratatatata, ela corre pro hospital e dentro dela ratatatata..
Olhos nos olhos, lágrimas e dois sorrisos, um abraço apertado...
Quase sem voz ele contou que aquela carta lhe salvou, cumpriu sua missão com força e paixao, e sua medalha era dela.
Ela tambem, lhe confessou sonhou com aquela cena do hospital que esse era o sinal que era tempo de amar...
Corações apaixonados só se ouve ratatatata, mais o peito do soldado não aguenta tanto ratatatata...
ratatatata...
ratatatata...
ratatatata...
ratatatata...